Archive for April, 2010
Recomendação Bibliográfica do mês: A Saga de Will
by kalib on Apr.16, 2010, under Impressões, Literatura
Saudações!
Desta vez venho lhes recomendar uma obra de Cheyla Furtado, uma escritora de minha cidade, Fortaleza, cujo livro foi extremamente bem elogiado pela mídia local em seu lançamento.
Ao me deparar com ele em uma de minhas visitas à minha livraria favorita, fiquei bastante intrigado em relação ao que li na contra-capa. Porque não? Comprei e estou lendo o livro. Não me arrependi e com certeza não me arrependerei ao término do mesmo.
A Saga de Will , como se chama o livro, conta a história de um jovem que vive em Gaia e é convidado a conhecer um novo “mundo” onde, descobre ele, sua mãe viveu por muitos anos e desempenhou um papel de grande importância. As pessoas deste mundo, chamado Reino de Liz, são culturalmente diferentes por estudarem e darem atenção a assuntos que, por muitas vezes, são deixados de lado em nosso mundo como cultura, artes, ecologia, etc.
A leitura do livro é extremamente agradável para aqueles que gostam de filosofia e história, visto que o mesmo puxa muito para estes conhecimentos no decorrer e descrição dos fatos que envolvem personagens como Leonardo da Vinci, por exemplo. Além de filosofia e história, o livro acaba puxando bastante para o lado da ficção envolvendo magia e aspectos ligados a uma espécia de “viagem” entre as notas musicais como parte do trajeto até o Reino de Liz.
Segue uma breve sinopse da Obra retirada do site da livrariacultural:
‘A Saga de Will’ conta a história de um menino que mora em Gaia e, ao receber a visita de uma sibila chamada Ana, aceita o convite para viajar até o Reino de Liz, um reino mítico, dividido em sete terras, com personagens que definem papéis de cunho social, político, científico, filosófico e mágico. Primeiramente a viagem dá-se através das Notas Musicais onde as experiências vividas por Will, Ana e Felipe – o representante das Matas de Liz – são em análogo aos diferentes estágios da cognição do homem. Durante a viagem, as crianças interagem com o senhor Leonardo Da Vinci que lhes apresenta a história das artes visuais. O rio Lete – rio do esquecimento- separa o Reino de Liz, do Mundo de Mus que, em analogia a Alegoria da Caverna, de Platão, é o mundo das ideias inteligíveis. Nesse Mundo, William de Liz percebe que o Universo ordenado não mais o é ao molde primevo dos gregos e aprecia a desconstrução das artes através da filosofia moderna.’
Fica a recomendação. :p
Abraços!
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Lixo eletrônico? Não sabe o que fazer? O FLISOL sabe!
by kalib on Apr.09, 2010, under Flisol, Impressões, Meio Ambiente, cultura hacker

Saudações pessoal, todos dispostos a ajudar?
Algumas semanas atrás uma amiga me perguntou algumas coisas sobre reciclagem ou reaproveitamento de e-lixo ou lixo eletrônico para os menos íntimos. A mesma não informou estes termos mas a intenção foi parecida. Me perguntou sobre como se descartar corretamente mídias (cds, dvds) ou velhas peças de computador. E como estamos nos aproximando do FLISOL, aproveitei para divulgar uma iniciativa que teremos aqui em Fortaleza no dia 24 de Abril durante o FLISOL – Festival Latino Americano de Instalação de Software Livre.
Mas, o que é esse tal e-lixo? Vivo recebendo esses SPAMs em minha caixa de email. Posso reciclar isso? o.O
Na verdade e-lixo não tem nada a ver com SPAM, apesar de algumas pessoas acharem que sim.
Quando citamos e-lixo, estamos falando de seus aparelhos eletrônicos que, por algum motivo, foram descartados por você. Televisores, aparelhos de DVD, computadores, impressoras, calculadoras, etc, são exemplos de lixo eletrônico que, uma vez que não sejam descartados da forma correta, acabarão em aterros comuns cujo único destino será se tornar um agente poluidor para o solo, água e porque não o ar.
Existem várias formas de “dar um fim”, literalmente, a este “bens”. Utilizei a expressão dar um fim, pois é literalmente o que o FLISOL Fortaleza pretende fazer. O objetivo é dar um novo fim a estes objetos.
Existem vários projetos que trabalham diretamente com estas “peças” que descartamos. O que para nós não tem mais utilidade, para eles terá um fim que pode surpreender até mesmo o mais criativo artista. Trabalhos como o de meta-reciclagem demonstram a cada dia que este tipo de material pode sim ser utilizado para a criação de novos produtos, sejam eles eletrônicos, partindo dos componentes ainda em funcionamento, ou mesmo utensílios domésticos, enfeites, etc.
No FLISOL Fortaleza deste ano teremos um ponto de coleta deste material durante todo o dia do evento.
Pentes de memória RAM, HDs, placas de vídeo, placas mãe ou qualquer coisa que o valha estará sendo coletado.
Nos vemos lá.
Abraços!
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BBB – Crônica de Luis Fernando Veríssimo sobre o BBB
by kalib on Apr.06, 2010, under Impressões, Literatura

Por quantas vezes não me peguei discutindo com amigos/familiares que me consideram extremamente radical ao lhes chamar de estúpidos por darem IBOPE à programas como o BBB e ainda gostarem do que assistem ao ponto de ficarem cegos a todo o resto que lhes cerca durante aqueles minutos de “programação”. Fico abismado ao ver, inclusive em minha família, pessoas ditas “alfabetizadas” perdendo seu tempo em frente à uma televisão assistindo ao dito programa de entretenimento (?) BBB.
Pelo visto não sou o único. Podem me chamar de estúpido, ignorante, ou mesmo preconceituoso. Mas, fico feliz em ver que pessoas como o tão renomado Luis Fernando Veríssimo estão seguindo a mesma linha.
Ainda não sou pai, portanto não posso tomar medidas mais radicais do que simplesmente criticar. Mas com toda a certeza eu, enquanto pai, proibiria qualquer filho(a) de assistir este tipo de coisa.
Segue uma crônica que recebi hoje e faço questão de divulgar por ter enorme respeito ao mesmo bem como às suas contribuições literárias.
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“A Vergonha” – crônica de Luis Fernando Veríssimo sobre o BBB
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE.
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados..
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores )
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…, estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… , visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.
Abraços!
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